A Teoria da utilização progressiva, como o próprio
nome já diz, é uma teoria inspirada na idéia da “utilização progressiva”. É
necessária uma compreensão correta de PROUT para entendermos o sentido das
palavras “utilização” e “progressiva” no presente contexto.
De
acordo com a filosofia e a ciência, todo ser está em constante movimento, mas
esse movimento apenas assume um significado quando ele tem uma direção ou uma
meta. Caso contrário, ele perde o sentido de sua existência. Na filosofia de
PROUT, a melhor definição de “progresso” está na palavra sânscrita “pragati”.
Pragati quer dizer movimento na direção certa. Por conseguinte, “progresso”
consiste no movimento em direção ao bem-estar de todos.
“Progressiva”
é, portanto, o termo aplicado às coisas direcionadas ao progresso, conduzidas
para o bem-estar. Isto é entendido mais como um estado mental predominante do
que como uma condição física. Quando a mente está em estado de equilíbrio,
pode-se experimentar a verdadeira paz interior. Os seres humanos estão sempre
buscando esse estado mental. O estado de equilíbrio mental também é referido
como bem-aventurança, felicidade. Esse é um estado de paz absoluta e
consciência além do prazer e da dor. Pragati consiste neste progresso que
beneficia a condição do ser e propicia o equilíbrio mental. O esforço para
alcançar esse estado de bem-aventurança é a busca humana conhecida como
espiritualidade. No contexto de PROUT, “progressivas” são todas as idéias que,
em essência, conduzem ao progresso no campo da espiritualidade.
Em
geral, a palavra progresso está associada à melhoria do conforto material, ou à
modernização tecnológica. Viajar de avião, em vez de carruagem, pode significar
progresso material, mas de acordo com a concepção de PROUT, isso só seria
progresso verdadeiro se significasse um bem-estar mais profundo para a
sociedade como um todo. E, numa análise mais profunda, vemos que qualquer
avanço tecnológico — que gere conforto ou amenidades no mundo material— está
sempre associado a algum efeito danoso à saúde ou alguma ameaça ao meio
ambiente. Automóveis, materiais plásticos e tantos outros avanços tecnológicos
proporcionaram incontestáveis benéficos, mas ao mesmo tempo causaram grandes
danos à natureza.
Isso
ocorre devido à característica fundamental do mundo material, que é a lei de
causa e efeito. Mesmo o mais leve progresso tecnológico tem efeitos negativos.
Contudo, não se quer dizer com isso que o progresso material deva ser
desprezado. Simplesmente, é necessário reconhecer que o verdadeiro progresso
não pode ser alcançado apenas na esfera física, já que qualquer avanço nessa
área está condicionado a efeitos contrários. O progresso material só é
plenamente benéfico quando ele propicia o bem-estar da sociedade e favorece o
progresso mental e espiritual.
Quanto
maior é a atividade mental e o conhecimento das pessoas, maior é sua
complexidade mental, resultando sempre em debilidade psíquica. Podemos notar
que entre os intelectuais das grandes cidades há o maior número de pessoas com
problemas psíquicos. O desenvolvimento intelectual acarreta vários problemas,
especialmente numa sociedade desequilibrada e materialista como a nossa. Dessa
forma, é difícil crer que o verdadeiro progresso provenha apenas do desenvolvimento
intelectual, pois todo ser humano tem um desejo inato por felicidade absoluta,
ou estado de bem-aventurança permanente, que não pode ser atendido nessa
esfera.
A
busca espiritual diz respeito ao esforço individual para conectar o finito com
o infinito, ou seja, alcançar a expansão infinita, o estado de equilíbrio
perfeito. O progresso espiritual não tem efeito negativo ou perda. Ele se dá
numa única direção, pois permite a expansão mental até o estado de equilíbrio
perfeito. Quando uma pessoa alcança esse estado, ela experimenta a verdadeira
paz interior.
Os seres humanos estão sempre em busca desse estado mental, que também é chamado de felicidade. Esse estado de felicidade está além das sensações de prazer e dor. O esforço para alcançar esse estado é chamado de espiritualidade. Em PROUT, todas as ações e idéias que conduzem a esse estado são consideradas progressistas.
Por
essa análise, podemos concluir que o progresso humano, num sentido mais
profundo, só é possível no campo da espiritualidade. Espiritualidade é algo que
só conseguimos encontrar no fundo de nosso coração. Quer estejamos conscientes
disso ou não, essa é a fonte de todas as nossas inspirações e aspirações.
Se
afirmamos que o verdadeiro progresso só pode ser alcançado na esfera espiritual,
então, poderíamos concluir que os seres humanos não devem se desenvolver nos
mundos físico e psíquico? Deveríamos negar o mundo físico e ir para as
montanhas ou talvez ficar isolados em monastérios? Isto seria uma expressão do
escapismo, que não teria relação com o verdadeiro desenvolvimento espiritual.
Como a existência humana se dá em três esferas — física, psíquica e
espiritual—, isto requer um esforço sincero para desenvolvermos todas as três.
Para nosso progresso espiritual, é necessário vivermos em ambiente apropriado.
Assim, colocamos o progresso espiritual como meta principal e ajustamos as
esferas física e psíquica ao movimento espiritual.
PROUT
é uma teoria socioeconômica preocupada em ajustar a dinâmica e o progresso
político, econômico e social com o desenvolvimento das potencialidades humanas,
psíquicas e espirituais. Ainda que os fundamentos de PROUT estejam baseados na
espiritualidade, cuja natureza é perene, as suas aplicações práticas e regras
devem ser modificadas de acordo as mudanças de tempo, lugar e pessoa. As
adaptações evitarão sua queda em armadilhas dogmáticas. A libertação de dogmas
é um sinal de progresso. Afinal, eles impedem a expansão e o bom desempenho
mental.
“Utilização”
é outra palavra-chave que obviamente exerce um papel importante no sistema
socioeconômico proutista. Utilização, no presente contexto, significa a
capacidade que o mundo material tem de suprir as necessidades dos seres humanos
e impulsionar seu desenvolvimento nas esferas física, mental e espiritual.
Aqui, vemos uma diferença fundamental entre o sistema PROUT e o atual sistema
capitalista; no sistema capitalista é sabido que as empresas visam ao lucro,
para obter o maior retorno para seus investimentos. Sem esse objetivo, não
haveria apoio de investidores, acionistas ou banqueiros. Em PROUT, a motivação
para a atividade econômica é atender as necessidades humanas e acelerar o
desenvolvimento dos seres humanos, com o intuito de utilizar progressivamente o
potencial dos diferentes recursos, serviços e idéias, visando ao bem-estar
coletivo.
Karl
Marx foi o primeiro pesquisador a analisar o conforto e a demonstrar seu duplo
valor. Ele fez profundas análises para descobrir a diferença entre o valor
utilitário e o valor de troca. Concluiu, então, que o modelo capitalista de
produção está baseado no cálculo do valor de troca, e que o valor utilitário
permanece em segundo plano; o que conta é o valor de mercado e a margem de
lucro. A economia proutista tem uma visão contrária, pois dá prioridade ao
valor utilitário, já que a economia deve estar voltada para o atendimento das
necessidades humanas.
Nessa análise de PROUT, devemos também considerar que existe uma grande variedade de teorias. Muitas propostas são meramente teóricas, tendo ou não valor prático. Algumas são verdadeiros frutos da extravagância intelectual, outras têm certo valor no que diz respeito à cultura; enquanto outras parecem estar bem fundamentadas, mas se tornam um fracasso total quando são aplicadas à dura realidade do mundo. (AQUI PODERIA SE COLOCAR EXEMPLOS DE PROPOSTAS APRESENTADAS POR ECONOMISTAS) No que concerne à parte teórica de PROUT, podemos dizer que ela não é uma proposta meramente intelectual. Seus princípios são perenes, pois estão baseados na profunda intuição espiritual, enquanto os desdobramentos práticos estão baseados nos problemas humanos, de acordo com o local e a época. O desenvolvimento de PROUT surge do esforço para estabelecer a racionalidade e a justiça social para todos e firmar a harmonia entre as atividades humanas e as aspirações espirituais mais profundas.
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