Umas das noções fundamentais de PROUT é que a
sociedade possui uma psicologia coletiva, uma mente coletiva constituída das
mentes individuais. Isto é, a sociedade humana é mais do que uma aglomeração de
indivíduos; ela possui uma mente coletiva regulada por princípios psicológicos
próprios. Essa psicologia coletiva é semelhante ao que Hegel chamou de
zeitgeist — termo usado para descrever o “espírito do tempo”.
A
sociedade é uma entidade dinâmica, com psicologia coletiva e características
existenciais (asti). O desenvolvimento e o progresso da sociedade são
definidos como “bhati”. A firmeza desse movimento depende de inúmeros
fatores. Dentre eles, seis são os mais essenciais. A existência simultânea
desses fatores caracteriza uma civilização desenvolvida e equilibrada, capaz de
resistir às dificuldades eventuais.
Filosofia Espiritual:
Consiste
na tentativa de responder a eterna pergunta sobre a razão de nossa existência.
No sentido geral, a filosofia compreende os ramos da antologia, da cosmologia,
do hermetismo, da ética e da epistemologia e, como tal, deve prover orientação
para todos os aspectos da vida e da existência humana. No sentido ideal, a
filosofia espiritual deve explicar claramente os princípios fundamentais e as
leis científicas da prática espiritual.
Prática
Espiritual:
Consiste
na ciência intuitiva que conduz o ser à auto-realização. Essa é a ciência
mística da meditação, a base do culto espiritual, incluindo todos os processos
pelos quais uma pessoa é capaz de se mover em direção ao estado de
bem-aventurança e autoconhecimento. Se uma sociedade não cultiva práticas
espirituais consistentes, apenas poucas pessoas privilegiadas podem
experimentar os estados de elevação mental que todos buscam. As práticas
intuitivas ajudam os seres humanos a serem felizes e a progredirem nas esferas
psíquica e espiritual. Essas práticas convertem a energia física em psíquica e
a energia psíquica em energia espiritual.
Teoria Socioeconômica:
Inclui
a vida socioeconômica e sua estrutura. PROUT é uma nova alternativa às teorias
do capitalismo, comunismo e socialismo, baseado na utilização máxima e na
distribuição racional dos recursos. A teoria deve se ajustar às mudanças de tempo,
lugar e pessoa.
Visão Social:
Significa
o sistema de valores fundamentais que moldam a sociedade. Os valores
predominantes na sociedade dependem muito de seus líderes sociais, intelectuais
e políticos. Para um desenvolvimento ideal, devemos ter uma visão cósmica e
cultivar valores espirituais, de forma que estes sejam a base da vida social.
Escrituras:
São
escritos, ensinamentos ou livros que produzem um efeito profundo na sociedade,
devido à sua plena aceitação e observância. Na verdade, as escrituras existem
para guiar e inspirar a vida social e espiritual; e, por isso, elas requerem um
estudo cuidadoso. A questão delicada é saber o que é verdade e sabedoria e o
que deve ser compreendido como a expressão de uma determinada época e suas
circunstâncias. A influência das escrituras sobre a sociedade não pode ser
negada, seja a Bíblia seja o “Pequeno Livro Vermelho” (de Mao Tsé-Tung). A
sociedade deve aceitar as escrituras que se firmam como um guia construtivo e
rejeitar aquelas que perdem o seu valor com o decorrer do tempo.
Preceptor:
Entidades
impessoais, como as escrituras e os códigos sociais, guiam e regulam a
sociedade. Mas uma vez que o ser humano dá muita importância ao sentimento, ele
também busca uma entidade pessoal como fonte de inspiração. Essa entidade gera
unidade, coesão e movimento na sociedade, tanto positiva como negativamente.
Quando a influência dessa entidade é negativa, ocorre o culto à personalidade.
A maioria das sociedades do passado teve um preceptor; às vezes um preceptor espiritual,
como Maomé, ou um preceptor social, como Hitler, Lênin ou Mao. Outros líderes
libertadores podem ser citados como preceptores de uma determinada época, como
Simón Bolívar, George Washington, Nelson Mandela, José de San Martín
(Argentina), Bernardo O’Higgins (Chile). Entretanto, as sociedades fundadas com
base nos ensinamentos de um preceptor espiritual são muito mais fortes e
perduram mais do que aquelas inspiradas em preceptores sociais.
A
presença dos seis fatores acima determina se uma sociedade e sua civilização
têm unidade estrutural, dinamismo e vitalidade. Devido à falta de alguns destes
fatores, no passado, algumas sociedades, nações e civilizações pereceram. Até
mesmo a civilização egípcia não pôde suportar o impacto dinâmico e jovem do
islamismo. As civilizações dos maias, dos astecas e dos incas foram destruídas
e absorvidas pelo expansivo império espanhol. Na maioria dos casos, uma
civilização mais forte e dinâmica é capaz de conquistar politicamente outra
mais fraca, com menos vigor e vitalidade, e que apresente pouco desenvolvimento
dos seis fatores.
Contudo, é possível que algumas civilizações jovens e dinâmicas, mesmo com pouco fortalecimento desses fatores, conquistem outras, sendo, porém, depois absorvidas por estas. Por exemplo, o império mongol conseguiu conquistar, política e militarmente, a China. Contudo, a sociedade chinesa foi culturalmente mais forte, tendo absorvido esta invasão em apenas uma geração e assimilado a vitalidade da sociedade guerreira dos mongóis. A Índia, da mesma maneira, absorveu a cultura dos invasores islâmicos iranianos.
Teremos
que prover todos esses fatores em nível global, para formar uma sociedade
humana forte, dinâmica e duradoura. A existência equilibrada desses seis
fatores nos levará a uma sociedade capaz de resistir a qualquer deterioração
interna ou invasão estrangeira; pois, para haver progresso social, nenhum dos
seis fatores mencionados deve ser negligenciado.
Leitura
Adicional:
PROUT in a Nutshell: Na
parte 6, o artigo “The Future of Civilization” discute asti, bhati e anandam e,
especialmente, os seis fatores.
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