EM MEMORIAM:
UMA CONVERSAÇÃO COM PAULO FREIRE
(1921-1997)

por Dada Maheshananda

Em 2 de maio de 1997 um professor brasileiro muito doce e de fala
suave morreu de ataque cardíaco. No seu funeral na manhã seguinte em São
Paulo, eu estava me debatendo com muitas ironias e paradoxos sobre a vida
de Paulo Freire. Mais de trezentos prominentes membros da Esquerda do
Brasil se reuniram para deixar suas últimas saudações para um homem gentil
que era conhecido como um revolucionário.

Seu caixão estava envolto com a bandeira nacional verde e amarela
junto a uma outra bandeira vermelha e branca de um militante do Partido dos
Trabalhadores. Os membros da Polícia Militar eram seus escoltadores
funerais, porque o Presedente Cardoso, de cujas ações conservativas Freire
protestou amargamente, endereçou a ele a honra de um funeral do estado.
Logo que o padre terminou de dizer os últimos ritos, as pessoas
calmamente cantaram a famosa canção de Geraldo Vandré que Freire amava:

Vem vamos embora, que esperar não é saber,
Quem sabe faz a hora não espera acontecer.

Quando o caixão foi baixado, eu me inclinei e arranquei uma rosa de
dentre pilhas de coroas de flores. Eu pensei no meu mantra e joguei aquela
flor com um sentimento de profunda gratidão.

Uma das equipes de televisão me pediram para explicar a minha
presença em meu uniforme laranja. Eu disse, "A vinte e cinco anos atrás
quando era um estudante universitário nos Estados Unidos, o livro de Paulo
Freire, A Pedagogia do Oprimido, foi requisitado para leitura no curso de
Ciência Política. Isto me inspirou muito a dedicar minha vida pela causa da
mudança mundial, de ajudar a criar uma verdadeira revolução baseada no amor
e solidaridade aos desfavorecidos. Me tornei monge da Ananda Marga, a qual
organiza diferentes tipos de projetos de serviço social, especialmente em
creches de diferentes áreas carentes. Então, Paulo Freire era um dos
razões porque eu use este uniforme."

Freire começou sua carreira ensinando cursos de alfabetização para
as classes de trabalhadores pobres do Pernambuco. Ele desenvolveu um
sistema de ensino através do diálogo, reconhecendo e respeitando o
conhecimento que as pessoas pobres já tinham. Ele os ajudou simultaneamente
a questionar as razões de suas pobrezas. Este processo de "conscientização"
gradualmente se tornou tão bem sucedido que em 1963 ele foi convidado para
encabeçar o programa de alfabetização nacional do Brasil.

Para entender a força do trabalho simples de Freire, considere o
diEalogo da primeira noite de aula com trabalhadores de plantação de cana
de açucar:

Quando eles chegavam, ele os ocupavam em uma agradável conversação,
até que de repente um desconcertante silêncio surgia.

Ele também ficou silencioso e esperou. Finalmente um deles disse,
"Desculpe, senhor, que estivéssemos falando. O senhor é que podia falar
porque o senhor é o que sabe. Nós, não".

-- Muito bem -- disse eu a eles. -- Eu sei algumas coisas que vocês
não sabem. Mas por que eu sei e vocês não sabem?
De repente a curiosidade se acendeu. A resposta não tardou.
-- O senhor sabe porque é doutor. Nós não.
-- Exato, eu sou doutor. Vocês não. Mas, por que eu sou doutor e
vocês não?
-- Porque foi à escola, tem leitura, tem estudo e nós, não.
-- E por que fui `a escola?
-- Por que seu pai pôde mandar o senhor à escola. O nosso, não.
-- E por que os pais de vocês não puderam mandar vocês `a escola?
-- Por que eram camponeses como nós.
-- E o que é ser camponês?
-- É não ter educação, posses, trabalhar de sol a sol sem direitos,
sem esperança de um dia melhor.
-- E por que ao camponês falta tudo isso?
-- Porque Deus quer.
-- E quem é Deus?
-- É o Pai de todos nós.
-- E quem é pai aqui nesta reunião?
Quase todos de mão para cima, disseram o que eram.Me fixei num
deles e lhe perguntei: -- Quantos filhos você tem?
-- Três.
-- Você seria capaz de sacrificar dois deles, submetndo-os a
sofrimentos para que o terceiro estudase, com vida boa no Refice? Você
seria capaz de amar assim?
-- Não!
-- Se você -- disse eu -- , homem de carne e osso, não é capaz de
fazer uma injustiça dessa, como é possível entender que Deus o faça? Será
mesmo que Deus é o fazedor dessas coisas?
Um silencio diferente do anterior. Em seguida:
-- Não. Não é Deus fazedor disso tudo. É o patrão! (de Pedagogia da
Esperança, Paz e Terra, 1992)

Apos este diálogo, Freire ensinou e discutiu as palavras que tinham
mais força para os grupos de pessoas com as quais ele estava trabalhando.
Para trabalhadores de plantação tais seriam incluidas: "casa", "terra",
"poço", "fome", "escola", "dívida", etc. Simples retratos de pessoas com
eles envolvidas por coisas de seus mundos, interagindo com outros,
constituiam a chave de ignição para conversações profundas. Educação como
esta tinha grande importância para suas vidas, e assim suas técnicas foram
capazes de alcançar a alfatização funcional no inacreditável curto espaço
de 30 horas.

Os soldados no funeral eram muito jovens para lembrar que em 1964
os generais tinham achado este "Método de Alfabetização Paulo Freire" tão
perigoso para o controle político no país que eles o declararam
"subversivo, malvado e perigoso, um inimigo de Deus." Aprisionado por dois
meses, ele foi então mandado para o exílio e sem permissão para retornar
por 17 longos anos. Ironicamente, novamente, ista foi punição que lançou
suas idéias para o mundo.

Paulo Freire trabalhou para o Ministério da Educação no Chile e
Argentina, lecionou por um ano como professor convidado na Universidade de
Harvard nos EUA, depois dirigiu o escritório de educação do Conselho
Mundial de Igrejas em Genebra. Em 1971 seu livro, A Pedagogia do Oprimido,
foi publicado primeiro em inglês, depois traduzido para doze outras
línguas. Sua revolucionária abordagem educativa para ajudar as classes
oprimidas a reconhecerem suas explorações se tornou um guia para liberação
de movimentos em todo o mundo. Freire foi premiado doutor honorário,
graduado pelas universidades na Grã Bretanha, Bélgica, Suíça, El Salvador,
Fiji e Estados Unidos.

O Dr. Sohail Inayatullah do Paquistão explicou a importância das
ideias de Freire em seus workshops de Prout em diferentes países. "Paulo
Freire excerceu tanta influência nos últimos quarentas anos que quase toda
a educação progressiva tem usado sua base. O Neo-Humanismo essencialmente
também tem muito de sua teoria, ver autenticamente quais são as
necessidades dos outros e vivenciar o seu mundo. Esta é a ação do
aprendizado, perceber a visão do mundo das outras pessoas e trabalhar com
elas em seus diversos níveis. Isto significa que eu estou parcialmente
aceitando suas ideias, mas também desafiando seus padrões de crenças e
ponto de vista. Sendo assim, este trabalho torna-se tanto um encontro
autentico quanto um esforço para movermos em direção a um novo nível de
entendimento--conscientização como diz Freire."

Um mês antes de sua morte, eu tive a honra de encontrar Paulo
Freire na biblioteca de sua casa em São Paulo. Sua suava barbva branca e
longos cabelos retratavam sua bonita maneira brasileira de hospitalidade.
Três jovens membros da Ananda Marga de São Paulo me acompanharam, incluindo
Ambika, professora principal de nossa creche na cidade. Conversamos por
quase duas horas em uma maravilhosa e graciosa atmosfera de respeito mútuo.

Ambhika: Nossa alternativa é uma forma de educação não convencional chamada
Neo-humanista. É uma pedagogia holística mais profundo, ela é baseada num
processo pessoal, em que primeiramente se desenvolve o ser.

Paulo Freire: Mas como é que vocês realizam isso, isto é, como vocês
procuram realizar esse sonho na prática?

A pergunta fundamental, que eu fazia, tem a ver com a prática educativa e a
relação entre a educadora, o educador e o educando. Coloca, porém, a
necessidade imperiosa do testemunho do valor. Eu não posso fazer um
discurso sobre a bondade matando um animal diante de quem ouve o discurso.

Yamuna: Em nossas escolas, o que eu vejo são as professoras e as
orientadoras trabalhando com muita força a fim de tentar não só deixar tudo
num discurso, mas, realmente realizar algo prático. A escola de São Paulo
fica em uma área pobre e as pessoas, que ali trabalham, sofrem muito. Mas
elas estão ali dispostas a trabalhar. Então é isso que vemos na parte
prática: as trabalhadoras estão fazendo o possível para realizar este
sonho.

Paulo Freire: Uma das brigas, das maiores lutas de cada um de nós
individualmente é exatamente diminuir a diferença entre o que se diz e o
que se faz, a entre o discurso e a prática.

O ético realmente é lutar pela aproximação ou pela diminuição dessa
diferença. Acho que é nos homens e nas mulheres da política, que se
encontra o máximo de distância entre o discurso e a prática. Se você
observar um discurso de um candidato a prefeito, depois de eleito,
perceberá que a prática não tem nada a ver com aquele discurso.
Como educador e como gente, eu acho que um dos valores que se deve
perseguir é exatamente esse: o valor da coerência. Eu me lembro do esforço
que eu fiz quando jovem e pai, quando comecei a ter, anos atrás, minha
experiência paterna com minha primeira mulher, o que significou para nós,
foi esse exercício da diminuição da distância entre o que você faz e o que
você sonha. Isso é uma luta, uma luta diária, mas uma luta bonita, uma luta
gostosa. Me lembro de algumas vêzes, em que pedi desculpa a um filho ou uma
filha minha pela contradição no que eu ensinei. Inclusive, é importante que
a criança saiba que o pai é incompleto mesmo, que ele pode errar. Deveria
nos satisfazer é saber que estamos diariamente lutando pela coerência.
Eu sempre digo: eu gosto da pureza, mas recuso o puritanismo, gosto
da moralidade mas tenho horror ao moralismo. Acho que a nossa luta diária
é procurar pela seriedade.

No fundo, eu sou um cara espiritual. Não diria que sou um homem
religioso. Mas, sou um homem de fé. Encaro que ter fé não é necessariamente
ter religiosidade. Em mim, há sempre a impregnação da mundaneidade na
transcendentalidade. Não posso alcançar a transcendência, a não ser a
partir do mundo. É aqui na história, memoriando na história, a infinitude
da minha possibilidade de cair e vivendo a possibilidade de cair que eu
posso cair menos.

Por exemplo, eu fumei muito até 1978 quando estava no exílio, na
Suíça. Fumava três carteiras de cigarros por dia, o que era um absurdo do
ponto de vista da saúde. Estava me destruindo e, quando reflito sobre esse
período, vejo que, nas duas ou três vezes em que pensei que devia parar de
fumar, me faltou o fundamental, que foi a vontade decisória. Quando ela cai
você não decide e quando você não decide, você não rompe, porque afinal de
contas, a decisão é uma ruptura de quem tem uma capacidade crítica de
escolher. Ninguém decide senão romper com um e ficar com o outro. Daí a
ineutralidade da decisão. Nenhuma decisão pode ser jamais neutra. E foi
rompendo com raiva.

Eu acho que importante de se ter nas decisões é a capacidade de
sentir raiva. A minha verdade é de que a raiva é solidária do amor e não
antagônica. Algumas das coisas fundamentais, que tenho feito em minha vida
tenho feito porque tenho tido raiva. E a raiva precisamente até porque amo.
A justa ira. O moço Cristo, que expulsou os comerciantes do templo não
expulsou fora da raiva. Foi raiva, foi a justa raiva.

Dada Maheshananda: O livro "Democracia Econômica", pelo fundador da
organização, Prabhat Ranjan Sarkar, que fala a respeito da nossa filosofia
social para criar uma sociedade justa no mundo. Queria perguntar a sua
opinião sobre a idéia de garantir as cinco necessidades básicas, incluindo
alimento, roupas, moradia, educação e cuidados médicos. Isso deve ser
garantido através do aumento do poder de compra através da garantia de
emprego para todos. Então é uma alternativa do comunismo e do capitalismo.
É uma síntese das idéias de como podemos desenvolver individualmente, mas
com tetos de salários para prevenir a super acumulação de riquezas, que é o
que está acontecendo no capitalismo. Qual é sua opinião sobre isto?

Paulo Freire: No momento atual do capitalismo, vem se explicitando o que
vem aí a ser chamado de neo-liberalismo. No fundo, ele se integra na ética
do mercado. Quer dizer que a ética fundamental, que seria a ética do ser
humano, é totalmente posta de lado em função dos interesses da ética do
mercado, que é uma ética malvada. Quer dizer, uma ética que desrespeita a
presença humana. E acho que nenhuma política de desenvolvimento tecnológico
e científico, que esqueça os interesses humanos, tem sentido para mim.
Obviamente que não defendo o atraso do desenvolvimento ou a parada do
desenvolvimento científico ou tecnológico, porque penso que seria uma
postura reacionária. Mas o que eu acho é que o desenvolvimento da ciência e
o desenvolvimento da tecnologia não se podem perder de vista.

O neo-liberalismo é contra isso tudo. A compreensão do
desenvolvimento é completamente desinteressada do humano. Venho hoje
lutando muito contra isso, brigando contra isso e uma das minhas recusas a
participar de qualquer tipo de colaboração com a política do Presidente
Cardoso é esta. Eu não votei no professor Cardoso, não vou votar na
reeleição dele e estarei sempre do lado de cá na minha briga contra um
homem, que eu conheço pessoalmente e que é um grande intelectual, por isso
mesmo o pecado dele é maior. E ele foi um dos maiores marxistas desse país
e que, de repente, descobre que seu caminho é a direita. Eu não aceito
isso. Então tenho criticado. Sou muito camarada do Ministro da Educação,
mas, do ponto de vista da política nacional brasileira, não tenho nada a
ver com ele. É uma pena porque aos 75 anos, quando penso que cheguei a um
momento em que poderia dar uma contribuição maior ao nosso país, me recuso.
A contribuição que eu dou é escrevendo e criticando tudo isso.

Dada Maheshananda: Prabhat Ranjan Sarkar escreveu que o capitalismo está
usando diferentes termos, diferentes formas de atuar. Antes, era a
exploração política através do imperialismo e colonialismo. Mas depois da
Segunda Guerra Mundial, eles transferiram toda essa exploração para a
exploração econômica. Hoje, o capitalismo usa muitas técnicas psicológicas.
Por exemplo, a indústria do fumo utiliza bilhões e bilhões de dólares para
convencer e criar novos consumidores jovens, através de técnicas muito
psicológicas de propaganda, com cavalos de raça ou expressões de liberdade.

Paulo Freire: No fundo, o que a economia americana quer é profundar e
confirmar o seu comando e o seu domínio sobre as outras economias. Eles
chamam isso de democracia e globalização da economia. E o professor
Fernando Henrique Cardoso ainda diz que a gente é caipira. Como é que entra
na cabeça a idéia de vender a Vale do Rio Doce? A terceira maior companhia
do Brasil, honesta, séria, técnica, competente. O país perde de uma vez
toda uma potência que criou porque o princípio neo-liberal é que é o
correto, o da privatização.

Dada Maheshananda: Em sua obra famosa, A Pedagogia do Oprimido, você
escreveu sobre a invasão cultural, a me interessou muito. Eu estava
trabalhando no Sudeste da Ásia por catorze anos, e lá se nota de forma bem
clara, a imposição da pseudo-cultura americana. Mas no Brasil é estranho
porque, por exemplo, o dono da Rede Globo percebeu a técnica para
transformar toda a propaganda dos Estados Unidos como se fossem modelos
brasileiros. Então é mais difícil para os brasileiros perceberem esse tipo
de imposição cultural. Gostaria de saber a sua opinião quanto a isso.

Paulo Freire: O próprio processo dominador é um processo necessariamente
manhoso. Existem inúmeras artimanhas porque, em certo momento no processo
dominador, ocorre fisicamente, quer dizer o dominador entra e toma conta. O
colonialismo foi esse momento. Mas, em determinado momento, fica muito caro
para o dominador manter uma estrutura colonialista. Então, é melhor retirar
seus soldados do país invadido e manobrá-los através da economia. No
domínio atual, através da economia e da política, necessariamente
precisa-se refinar os comandos ou a invasão cultural. Em certo momento, é
interessante que o invadido não se perceba invadido.

O desenvolvimento de nossa capacidade crítica é cada vez mais
necessário, mas cada vez mais difícil também

Dada Maheshananda: Essa é uma parte essencial de Neo-humanismo também,
estudar e realizar diferentes tipos de exploração. Porque a educação para a
libertação é a base do nosso processo de educação. Através dos nossos
estudos e do nosso diálogo com os outros, podemos perceber diferentes tipos
de exploração. Individualmente e juntos com outros, nós podemos lutar
contra essa exploração.

Paulo Freire: No fundo eu acho que uma das coisas que estão faltando para
nós, tanto professores como alunos, nessa experiência pedagógica, é a
capacidade de... , é o que você está chamando de capacidade de meditar e
também, no sentido de transcendência, uma experiência de reflexão crítica
em torno da presença do mundo.

É isso que falta, porque, de um modo geral, o que se enfatiza na
prática é a transferência do conteúdo. Quer dizer, o ensino fica reduzido a
uma técnica de transmissão de conteúdos, uma transmissão menorizadora,
mecânica do conhecimento de Biologia, Geografia, de História, de Matemática
de forma a minimizar a minha presença no mundo. A minha formação não se
esgota no treino físico, no treino técnico do conhecimento superficial do
conteúdo. E isso é hoje uma das características da pedagogia neo-liberal. O
que eles vem chamando de pragmatismo na prática docente. Para mim a
educação é mais do que isso e, a meu ver, envolve a meditação permanente.

O legado de Paulo Freire pode ser notificado em suas duas dúzias de
livros e em mais de 900 locais na Internet. Ele pode também ser visto nos
olhos das crianças e das pessoas idosas que ganharam a força por lêr suas
palavras que moldam suas vidas. Ele era sempre encontrado repetindo as
palavras de outro revolucionário, Che Guevara: "E ao risco de parecer
ridículo, que o verdadeiro revolucionario é animado por fortes sentimentos
de amor."

Quando eu caminhava cruzando as gramas do cemitério, pensei como
eram adequadas as palavras de P. R. Sarkar na dedicação de seu livro, A
Liberação do Intelecto: Neo-Humanismo:

"Àqueles que pensam em todos. . .
Que oferecem a outros os lugares de honra e respeiro. . .
Que veneram outros ao invés de esperar ser venerados.
A eles, dedico este livro com humilde estima, e as mais profundas saudações."


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