Dez Mitos do Desenvolvimento Brasileiro
por Natalie Schaefer

Mito 1

Aumentando o PIB do pais aumenta-se a riqueza do povo brasileiro.

O PIB é um indicador ilusório do padrão de vida da sociedade, pois a má
distribuição de renda distorce a realidade apresentada. A ênfase no
aumento do PIB encoraja a produção de bens supérfluos e a exportação de
recursos naturais em estado bruto ( processados pelas nações ricas e
recomprados pelo Brasil, implicando em uma evasão de divisas).

A orientação de PROUT é que a riqueza de uma região deveria ser mensurada
pelo poder de compra do povo, de modo a se ter uma idéia mais precisa do
padrão de vida do mesmo. O poder de compra será garantido por uma economia
descentralizada, que produzirá os bens para a população. Por sua vêz, a
elevação periódica dos salários em um ambiente de preços estáveis aumentará
a riqueza coletiva. O propósito de toda riqueza é atender às necessidades
humanas. A riqueza deve ser utilizada para o consumo e não para a excessiva
acumulação improdutiva.

Mito 2

A dívida externa e o pagamento dos juros são as principais causas da
crise financeira brasileira.

O Brasil tem a maior concentração de renda do mundo, mais da metade da
riqueza está concentrada nas mãos de 10% da população. A elite industrial e
rural do país tende a investir o seu capital no exterior. Eles se
beneficiam de crédito e incentivos fiscais do governo para financiar a
produção local, obrigando o governo a pedir empréstimos de bancos e
entidades financeiras internacionais.

PROUT recomenda um imposto sobre a riqueza e o estabelecimento de um teto
em bens e na renda para previnir a acumulação e concentração da riqueza. O
capital deve ser investido no local e não deve se permitir que saia da
região, de forma a eliminar a necessidade de empréstimos externos.

Mito 3

Os incentivos e isenções fiscais, bem como empréstimos governamentais são
uma boa forma de estimular o crescimento econômico. Políticas de um
governo centralizado são ineficientes. Não estão em contato com a
realidade local, sendo facilmente influenciadas por interesses escusos.

PROUT prega a descentralização da economia, em unidades regionais
auto-suficientes. O planejamento econômico deve ser feito por comitês
locais com aqueles que estejam uma posição mais favorável para detectar as
necessidades de suas respectivas áreas. Estes comitês deverão trabalhar no
sentido de se alcançar o pleno emprego e prevenir a evasão da riqueza
.

Mito 4

A exportação dos recursos naturais do Brasil ajuda a diminuir a dívida
externa.

A exportação dos recursos naturais exaure o país e compromete o futuro
econômico das novas gerações. Os preços internacionais destes recursos
naturais variam assustadoramente. Esses recursos são processados no
primeiro mundo e revendidos no mercado brasileiro como bens acabados muito
mais caros.

PROUT recomenda o desenvolvimento industrial em áreas próximas à fonte
de matéria-prima, de forma a criar boas oportunidades de emprego. Somente
produtos acabados devem ser exportados, pois seus preços são mais elevados
e geralmente permanecem estáveis.

Mito 5

Investimentos de multinacionais no Brasil são bons para o país e trazem
a prosperidade..

Grandes projetos industriais de multinacionais são intensivos em
capital, se apropriam de uma grande parcela dos recursos disponíveis e as
corporações inevitavelmente remetem lucros às suas matrizes..Isso aumenta a
carga da dívida, enquanto pouco adianta para resolver o problema do
desemprego.

PROUT indica uma política industrial baseada no tripé: pequenas
empresas privadas, cooperativas e indústrias de base administradas pelo
governo local, de modo a garantir de uma forma total e significativa a
oferta de empregos. Uma indústria de base processerá os recursos naturais
para que diversas cooperativas e pequenas empresas privadas convertam os
recursos naturais em produtos manufaturados. Isso criará muitas
oportunidades de emprego.

Mito 6

Agricultura mecanizada em larga escala de soja, cacau, cana-de-açucar,
etc., para exportação constitui o melhor uso da terra cultivável do pais.

Esses tipos de culturas criam uma dependência em relação aos mercados
internacionais. instáveis. A mecanização da agricultura aumenta a pobreza
rural e provoca o inchaço das áreas urbanas.

PROUT recomenda o desenvolvimento da agricultura através da
descentralização da propriedade da terra. Os fazendeiros devem ser
encorajados a trabalhar em suas terras de forma cooperativa para obterem
maior eficiência. Os fazendeiros devem decidir o que cultivar e a que preço
vender a produção. Os problemas de desemprego na área rural podem ser
solucionados também com o desenvolvimento de agro-indústrias locais. A
produção dos alimentos deve ser cultivada, estocada, processada e
preservada pelas cooperativas locais.

Mito 7

A derrubada da Floresta Amazônica para o desenvolvimento da pecuária é a
forma mais produtiva de uso dessa região.

O resultado principal do desmatamento para o desenvolvimento da
pecuária é a intensa especulação da terra, levando cada vez mais a uma
maior destruição e o surgimento de gigantescos latifúndios. Pelo fato do
governo reconhecer esse tipo de desmatamento como um uso adequado da terra,
o que acontece na realidade é a destruição de preciosas espécies da fauna e
flora, o deslocamento e empobrecimento dos habitantes da Floresta e uma
diminuição da oferta de emprego.. Cerca de 98% das fazendas de gado na
Amazônia não são lucrativas.

PROUT recomenda o imediato reconhecimento dos povos da floresta. O
aperfeiçoamento das técnicas tradicionais do uso da floresta deve ser
desenvolvido por centros de pesquisas locais. A cultura e a tradição local
devem ser a principal fonte às soluções ecológicas, criativas e
sustentáveis no desenvolvimento agrícola e extrativista da Amazônia.

Mito 8

A política econômica do governo no sentido de baixar a inflação está
tendo êxito.

O problema da inflação no Brasil não poderá ser solucionado até que a
concentração de riqueza seja eliminada, que o capital seja investido
localmente e o poder de compra da população seja garantido.

PROUT orienta que o valor da moeda seja mantido estável com a
utilização do ouro como lastro para a emissão de moeda e que a economia
seja voltada para as necessidades de consumo e não para o lucro.

Mito 9

A exploração dos recursos minerais da Amazônia é importante para
o crescimento econômico do pais. Desenvolver a Amazônia também ajuda a
aliviar as pressões provocadas pela superpopulação.

A falta de um planejamento racional para uma exploração mineral
provocou um aguçamento do envenenamento pelo mercúrio ( garimpo de ouro ) e
uma massiça destruição das florestas para a extração do minério de ferro. A
pressão populacional na Amazônia deve-se à falta de um planejamento rural
em outras regiões.

PROUT recomenda a introdução de métodos científicos apropriados
para calcular os custos reais da extração mineral e seu processamento.
Deve-se considerar prioritariamente as necessidades da população local. A
destruição ambiental arrasa as qualidades únicas da Amazônia. Um sistema
econômico sustentável incorporando novos valores culturais baseados na
interdependência de todas as formas de vida deve ser imediatamente
adotado. Ao invés de propagar falsos sonhos com o solo da floresta, o
governo deveria modificar as prioridades nacionais e começar uma verdadeira
reforma agrária em todos os estados.

Mito 10

O governo está fazendo progresso com relação à divida social.

A pobreza no Brasil está crescendo. Em torno de 40% das
crianças que entram na primeira série não passam para a segunda; 50% da
força de trabalho sobrevivem com 14% da renda nacional. Mais da metade das
crianças e adolescentes vivem em famílias com renda inferior a US$ 35 por
mês. Cinco milhões de crianças vivem nas ruas com medo dos esquadrões da
morte. Famílias desesperadas que migram do campo para as cidades chegam a
prostituir suas filhas em troca de comida. Esse é o custo social do "
Milagre Econômico" brasileiro.

PROUT Os brasileiros precisam desesperadamente de uma
mudança econômica e social que garanta uma libertação universal do estado
de penúria. As necessidades básicas da vida - alimentação adequada,
vestuário, assistência médica, educação e habitação devem ser garantidos a
todos. A maior riqueza do pais repousa em seu povo. Todos devem ser
amparados, todos devem ser valorizados.

1992, United Nations Earth Summit


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